terça-feira, 7 de outubro de 2008

PARABÉNS PASSAGEIROS

Estou completando dois anos como taxista depois de vinte e cinco anos como fotógrafo publicitário, confesso renasci, sai da casca e acordei para o mundo real, nascido na Vila Olímpia criado no Real Paque dois bairros da periferia que se tornaram nobres, hoje entendo que cresci no paraíso no quadrilátero seguro da elite dominante que produz a informação, cultura, política, propaganda, com cara de dominante para dominante decifrar, nem os letrados estão entendendo imagina a massa dos noventa por cento de aleijados intelectuais.
Com o táxi rodo em média duzentos e cinqüenta quilômetros por dia o que me dá a possibilidade de conhecer minha cidade através de meu pára-brisas, conhecer as regiões mais longínquas e inóspitas, pessoas, gente, bichos, executivos, funcionários, desempregados, ricos pobres suas angústias, medos, preocupações, a leitura que cada um faz da nossa amada, é engraçado sempre disse isso ao meu pai que é pesquisador de mercado, nas pesquisas as pessoas dão uma resposta no táxi elas mostram outras e no comportamento parecem seres de outro reino meu pai não entendeu, poucos pesquisadores entendem Froid explica, Maquiavel também em seu livro “O Príncipe”: as pessoas devem parecer: missericordiosas, confiáveis, humanas, religiosas e corretas mas no táxi escorregam assim como os políticos, dirigentes, empressários, taxistas, falhamos somos imperfeitos, mal educados, mal lapidados muito embora transportemos altos executivos com MBA, pós graduação, Harward e Sorbonone pegos na porta do melhores hotéis da cidade e dos maiores bancos de investimento ultimamente esses passageiros andam meio sumidos eles vão e vem conforme a variação da bolsa.
Nos esquecemos que somos todos educadores seja através da fala ou do nosso comportamento muito embora achemos que a obrigação de educar é do estado dos professores, cada um deveria fazer sua parte, pois estamos na vida para aprender e também para ensinar.
Quando completei dezoito anos vendi minha moto para comprar minha primeira câmera fotográfica que é uma forma de a gente escrever não com as letras, mas com a luz de qualquer forma o primeiro testo de luz a gente nunca esquece, eu e meu amigo fotógrafo fomos para beira da rodovia Dutra pegamos uma carona com uma caminhoneira e decemos no Maranhão foram noventa dias viajando pelo nordeste na boléia, carroceria, dentro dos carros das cegonheiras, jegues carroças, e muita sola de tênis fotografando muita gente pobre mas solidária com esperança, com cara boa pobre mas digno, sempre nos ofereceram uma rede para dormir e o pouco que se comia era repartido como irmãos, hoje viajo por nosso pais São Paulo e vejo estampado no rosto da periferia a descrença, a violência uma cara de mal saída dos filmes de Fritz Lang pense no Haiti o Haiti é aqui, a bolsa família parece ter pouco efeito por aqui talvez desse mais resultado se desenvolvêssemos o Kit USA composto de Tênis, calça, celular, camiseta, vídeo game, dvd tudo de marca de preferência importados, mais uma trouxinha esperta pra ficar legal a gente aqui em SP não quer só comida a gente quer o que querem os meninos riquinhos que a gente vê na TV e se a gente não tem a gente ganha, e também fazemos maldades por que a gente ta com raiva mais nois não sabe porque.
Dois anos se passaram e continuo acreditando que a vida vem aos pares e que o par perfeito é um par de sapatos velhos que ainda serve basta você me calçar que eu aqueço o frio dos seus pés, durante esses messes foram distribuídos como cortesia em meu táxi na tentativa de agregar valor a minha boa prestação de serviços: mil e quinhentos bombos de boa qualidade o que me deu o título de táxi bombom, duzentos copos de água mineral geladinha, cinqüenta CDs gravados com mantras indianos para relaxar, barrinhas de cereal, o tiro saiu pela culatra, noventa por cento dos passageiros não deram gorjeta nem muito obrigado, embora a grande maioria seja de educação superior, pessoas que viajam com freqüência ao exterior, que lá praticam as leis do país pagando os deis por cento pelo serviços prestados eles não conseguem assimilar o hábito e quando retornam ao país retornam também as origens passando a não praticar os preceitos de Maquiavel e sim os preceitos “Maquiavélicos” o engraçado é que esses executivos pagam uma grana preta para fazerem cursos do NBB Management, buscando diferencias, formas de agregar valor a prestação se serviços entram no táxi me parabenizam pela boa prestação de serviços mas na hora de por a mão no bolso o reconhecimento não aparece logo entendi o recado seis meses depois cortei os bombons, a água, os CDs, cansei de dar pérolas......... gosto desse Sr. Froid ele tem muito a nos ensinar por enquanto continuo a dar bom dia mas aproveitem pois estou pensando em cortar, adoro os gringos nunca pensei que algum dia isso fosse sair da minha boca é que eles são generosos, educados, nos dão gorjeta em dólar, nos dão presentes, nos convidam para almoçar em bons restaurantes, nos tratam como gente, nos respeitam, querem aprender com a gente nos fazem sentir gente a esses e aos bons brasileiros meus parabéns por me ensinarem tanto e por me fazerem acreditar que vale a pena acreditar, aos demais digo: “sou menino passarinho com vontade de voar, vocês que ai estão passarão eu passarinho.”
Táxi divã o motorista também, Foid ou desce.


Fabio Gonzalez

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

PERIQUITA FRITA

Terminado o X congresso de urologia em um grande hotel em SP três doutores e uma doutora embarcam em meu taxi.
- Dr. Você acha mesmo que a solução para o problema da disfunção erétil seja o pênis ciborg. ( prótese erétil involuntária, que o sujeito controla com suas próprias mãos quando ele deve ficar erétus, rétus ou abaixus)
- Veja bem doutora acho que a pílula azul é uma saída para casos de idosos com disfunção que não conseguem se comunicar por outros vasos, porém para essa juventude desviada que ainda não descobriu o prazer fico receoso de termos um número muito grande de infartados já que essa moçada está usando a pílula azul para provar sua virilidade sua masculinidade, e a mulher está buscando o prazer.
- Veja bem doutora uma vagina leva de três a doze minutos para chagar ao orgasmo e esses pênis eréctus não baixam antes dos trinta minutos logo temos homens gozando em trinta e mulheres sofrendo aos dês, pois os outros vinte elas gemem de dor o canalha acha que a mulher agüenta trinta minutos de fricção na vagina o que ele vai ter é uma bela periquita frita.
- Periquita frita?
- É isso mesmo os homens esqueceram suas origens sou do tempo do beijo, vocês se lembram de Robert Dousnou com suas clássicas fotos do Beijo, bananalizamos tudo, o beijo hoje não tem mais importância em nossa cultura até puta sabe da importância do beijo elas nunca beijam seus clientes para não se envolverem elas sabem que beijo é sagrado só o enamorado.
- É isso mesmo, sou do tempo em que o beijo era como o ferro elétrico, ligava em cima esquentava em baixo.
- Então pra que a pílula azul bastam as carícias, o toque o calor, o amor, o tesão, pra que pílula?
- É doutora acho que o homem regrediu para idade do metal.
- Veja : os homens hoje tem muito ouro na boca, muita prata no bolso e muito chumbo no pau, logo vão precisar de muita pílula azul.
- Mas isso é um absurdo vamos ter muitas perequitas fritas e muito jovem infartado.
- Doutora, estamos vivendo a época da produção em massa, os chefes obrigam seus subalternos a serem rápidos eficientes, produtivos, globalizados, a darem resultados rápidos logo todos temos que gozar rapidinho, é essa a cultura da chineização o metal é a questão.
- Sim mais existe um contra-senso, com a pílula azul nunca teremos uma sincronicity quando os homens conseguirem gozar as mulheres já estarão fritas.
- Sim doutora, inventaram a pílula para a disfunção erétil, mas esqueceram de inventar o perdão.
- Como assim?
- É se esqueceram de inventar a pílula para a disfunção cerebral.
- É amigo acho que estamos na idade do metal
- Não relaxa e não goza, é ouro.
“ O homem sobrevive a terremotos, epidemias, aos horrores das doenças e a todas as torturas da alma, mas a tragédia mais atormentadora de todos os tempos tem sido, e será a tragédia da cama”
Leon Tolstoi (1828-1910)

284 ou Froid ou desce.

Fabio Gonzalez

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

TAXISTA CRIA NOVA CATEGORIA DE TAXI.

Passageiro um:


- Moço me leva para o jardim.
- Que jardim senhora ?
- Ora o jardins na Lorena.
- Pois não senhora.
- Hoje é aniversário do meu querido oitenta anos, ele está brigado com sua filha, eles não se falam a dês anos, quando ela tinha sete anos meu querido a colocou no culégio interno, naquela época meu querido gostava de paquerar na Augusta com sua Mercedez Benz, foi quando ele me cunheceu, por causa da Cláudia tive dois abortos nunca pude engravidar Claudia foi um estorvo em nossas vidas entendo que meu querido não queira vê-la.




Passageiro dois:


- O amigo pode me levar para o Internacional?
- Pois não senhor.
- Alô Amanda?
- Sim querido já cheguei, meu quarto é numero três.
- Querida acabo de colocar minha mulher num vôo para Bahia, logo mais a meia noite estarei chegando ai em Punta Del Leste, estou morrendo de saudades.
- Estarei aqui te esperando.
- Ora querida não precisa durma bem, até amanhã.
- Alô Isadora, querida, estou embarcando hoje para Punta a trabalho, já comprei os ingressos para o show do Chico na quarta feira ai no Canecão te amo Amor.
- Beijo querido, nos vemos na quarta.




Passageiro três:

- Cara vamos para Cagonhas.
- Congonhas?
- Isso cara em deis minutos Ok.
- Pois não senhor.
- Pai, ta me ouvindo a ligação ta ruim.
- O negócio é o seguinte não recebemos das estatais, o negocio ta preto, não temos dinheiro para pagar os empregados.......vamos ter que trazer os dólares de volta da Suíça entendeu? Fale com o fulano temos que trazer a grana até o final da semana.
- Ta, to embarcando para Brasília te ligo mais tarde.
- Beijo pai.


Passageiro quatro:


Um casal de advogados embarca no táxi e solicita:
- Moema, Alameda dos Arapanés, 69.
- Vocês aceitam um bombom, e passei a caixa cheia.
- Após terem comido todos os bombons da caixa abriram a janela e atiraram à caixa cheia de papel na avenida.
- Mas amigo...........
- Não se preocupe amanhã o garizinho limpa.


Passageiro cinco:


Dois amigos publicitários saindo do quarto congresso.
- Paulo você lembra do Eduardo?
- Que Eduardo?
- O Eduardo de mídia que trabalhava na JJ Gênio?
- A sei aquele que saiu para trabalhar em veículo?
- Isso mesmo, ele conseguiu.
- É mesmo e onde ela está?
- Comprou um táxi.


Passageiro seis:


- Cara pra congonhas em deis, será que você consegue?
- Fica tranqüilo hoje o trânsito ta bom.
- Isso.. para aqui, pare aqui mesmo na faixa.
- Não Sr. aqui é multa.... aqui pronto.
- Desembarque pelo lado direito da aeronave e verifique se não esqueceu nenhum objeto.
- Valeu até a próxima
- Ei táxi ta livre?
- Tá sim.
- Vamos pra Berrini. Ta bom o transito hoje em SP?
- Ta sim é mês de férias........chegamos rapidinho.
- Valeu amigo, me dá seu cartão se precisar te ligo.
- Desembarque pelo lado direito da aeronave senhor e verifique se não esqueceu nenhum objeto.
- Ta tudo certo até a vista.
- Ei taxista ta livre?
- Sim senhor.
- Alto da Boa Vista.
-Aqui estamos amigo, desembarque pelo lado direito da aeronave e verifique se não esqueceu nenhum objeto, aqui está meu cartão veja meu blog.
No caminho de volta para o hotel ouço um ring tone que não é o meu, com o carro em movimento estico o braço e apanho no chão um lindo Black Barry, atendo e já vou logo dizendo:
- Amigo me desculpe atender seu aparelho de outra forma não poderia encontrá-lo.
- Ta, ta não tem problema, você acha que em dês minuto você ta aqui?
A ligação caiu, retornei para casa do último passageiro que havia descido e entreguei o aparelho para a empregada.
Dês minutos depois...
- Alô moço meu patrão disse que esse aparelho não é dele não......
De volta a casa, apanhei o bichinho e logo ouvi o ring tone, atendi.
- Cara onde você está meu vôo sai em cinco quanto tempo mais?
- To chegando guenta ai.
Quando cheguei ao aeroporto na entrada parei e fui pedir autorização ao marronzinho táxi vazio não entra no aeroporto, leva multa.
- Seu guarda.....
- Ai não pode parar tira logo....... se entrar sem passageiro eu não vou multar.... mas não posso garantir o cara lá da frente.
Entrei e corri o risco por uma boa ação, logo avistei o cara todo apavorado.
- Pó cara você demorou, ai valeu o Brasil precisa de gente assim de caráter, muito obrigado.
Sai logo para não ser multado...... acabo de receber uma condecoração um aviso de auto de infração o argumento: parar a um metro da sarjeta, entrei vazio no aeroporto e sai tonto.
Valeu vou passar adiante.


Passageiro sete:


- Alô é o 284 aqui é o Sr. Paulo do Morumbi.
- Olha nós já desembarcamos, o Sr pode nos apanhar aqui no terminal dois.
- Olá senhor Paulo como vai? Fizeram boa viagem?
- Foi tudo bem você pode apanhar essas malas grandes eu não vou poder lhe ajudar é que tenho hérnia de disco à bagagem de mão da minha mulher eu levo, vamos querida entre no táxi.
- Pode deixar senhor Paulo eu carrego o carro.
Enchi o peito, apanhei o malão pela alça e levantei, a mala tava grudada no chão quase cai sentado, tentei novamente com mais força e nada senti uma fisgada no ciático que quase me alejou, um carregador me ajudou a colocar a mala no carro.
No caminho seu Paulo foi me contando sua aventura em Miami passou duas semanas de férias procurando peças para sua BMW 96 a mala estava carregada com amortecedores e outras partes que aqui custariam muito caro, pois as concessionárias são desonestas e lá ele pode encontrar bem mais em conta.
Entendi porque tanta gente gosta de fazer compras em Miami e o porquê de tanta mala que arrebenta com a coluna de tanta gente.


E eu?.........PQP........ não vou nada bem..........não vou nada bem, comprei um protetor auricular para não ouvir o grito definhante do gigante pela própria natureza que sangra em seu próprio gigantismo, quero preservar meus pinicos para sinfonia da mãe natureza.
Vou mandar pintar uma cruz vermelha em minha unidade com o seguinte dizer: Táxi divã ou Froid ou desce.





Fabio Gonzalez o taxista que quer ser publicitário, fotógrafo e repórter.